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Home»Entretenimento»Banda de Renan Santos e Mamãe Falei fica em 1º em votação para abrir Lolla, mas é rejeitada por júri
Entretenimento

Banda de Renan Santos e Mamãe Falei fica em 1º em votação para abrir Lolla, mas é rejeitada por júri

março 19, 2026Nenhum comentário0 Visitas

Banda formada por integrantes do MBL quase participou do Lolla
No Lollapalooza 2026, a voz do povo, não necessariamente, é a voz de Deus. Após ficar em primeiro uma votação popular na campanha “Temos Vagas”, que seleciona um artista para o festival, a banda Limão Rosa foi preterido pelo júri técnico do festival e da rádio 89FM.
O grupo de pop rock é formado por Renan Santos, Arthur do Val, o Mamãe Falei (integrantes do Movimento Brasil Livre, MBL) e Gustavo Moledo (irmão de Arthur). Após a decisão dos jurados, eles foram rejeitados e não vão abrir o Lolla, nesta sexta-feira (20).
O g1 conversou com a rádio 89FM, responsável pela organização do concurso, que explicou disse ter julgado a Limão Rosa como “qualquer outra banda”. O regulamento do “Temos Vagas” dizia que as 50 bandas mais votadas participariam de uma triagem final feita por representantes da rádio 89FM e da RockWorld, organizadora do Lolla. A banda escolhida foi Ginger and the Peppers (leia mais sobre o grupo no final do texto).
Segundo a rádio, o júri técnico analisa se a música é legal, se conversa com o festival, se a banda engaja com a comunidade (e isso não tem só a ver com número de seguidores). “Julgamos a Limão Rosa como julgamos todas as outras bandas. E foram mais de mil.”
“Não teve nenhum critério específico para a Limão Rosa. E, na nossa avaliação, a Ginger and The Peppers tinha mais elementos para vencer o concurso”, explica ao g1 um representante da rádio 89. A organização do Lollapalooza, que também integra o júri, não quis se pronunciar.
Ao g1, Renan, que é pré-candidato à Presidência, e Arthur disse que a campanha no concurso foi “despretensiosa”. Renan contou que a ideia de participar da votação surgiu durante uma live, como uma “brincadeira”. Durante uma transmissão no YouTube, Mamãe Falei fez a sugestão e a banda, então, fez a inscrição.
Arthur do Val e Renan Santos, integrantes da Limão Rosa
Divulgação
“Eu não liguei muito, porque tinha certeza que os caras [do júri] não iam querer colocar a gente, iam dar um jeito de inventar uma desculpa. Até por isso, nem fomos atrás, não reclamamos”, diz Renan.
“Acho que o Lolla jamais chamaria a gente. Se eu fosse eles, não chamaria. Por que chamar uma banda polêmica tendo milhões de outras bandas? Mas, se chamassem, seria o evento do ano porque seria inusitado um festival considerado de esquerda chamar uma banda ligada a políticos de direita”, completa Arthur.
‘Não queremos falar de política’
Os dois integrantes políticos da banda garantem que não houve engajamento massivo dos adeptos do MBL na votação. Pelo contrário: segundo eles, a banda não é querida pelo público que acompanha o movimento. Renan conta que existe até um ar de decepção nos shows:
“A militância do MBL não gosta da banda. Uma das grandes piadas que a galera fala é: ‘fiquem na política que é melhor’.”
“Tem um problema de sensibilidade estética brutal na galera da direita. Quando a pessoa gosta de rock, é aquela coisa de tocar muito bem, muito rápido, aquele metal melódico. Eu não gosto disso. Acho que não tem nada a ver com isso e aí os caras acham que tocar ‘direito’, na cabeça deles, é outra coisa do que a gente faz.”
Se você gosta de metal melódico ou algo mais próximo do que foi produzido pelas bandas de rock mais clássico dos anos 1990, a Limão Rosa, de fato, não deve despertar seu interesse.
Inspirada em nomes como Velvet Underground e The Stooges, o grupo se orgulha de ter um som sujo e mais alternativo, com um quê de rock de garagem.
“A gente faz shows com improviso, vai ter erro no show. E tem que ter. Um show de garagem é para ser impreciso. Só que a galera acha que todo show tem a dinâmica de um show de estádio, algo super certinho, embalado e pré-montado”, contextualiza Renan.
À procura da batida perfeita
Renan Santos, integrante do Limão Rosa e fundador do MBL
Divulgação
Quando estão em estúdio, a bateria é um dos grandes pontos de discussão do grupo. Enquanto Arthur quer algo mais próximo do atual, bem forte e agudo, Renan e Gustavo se mantém mais próximo dos anos 1960, com uma percussão mais grave.
Falando das composições, o que também poderia ser um chamariz para a banda – letras com grande teor político – está muito longe do horizonte dos envolvidos. Tendo como grande inspiração Bob Dylan, Renan, o compositor do grupo, diz que o trabalho de escrever músicas é justamente o que o afasta da política.
“Não é um esforço, é natural, não tratar [de política]. Eu acho meio babaca aquela coisa meio [começa a cantarolar] que país é esse? [referência à música da Legião Urbana], eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério [trecho da música “Não É Sério”, do Charlie Brown Jr.]. Eu não consigo gostar disso, acho meio bobo.
E agora, Limão Rosa?
A banda Limão Rosa
Divulgação
Nascida de um desejo de “fazer música”, a banda tem o nome em homenagem à fruta que não é brasileira, mas, segundo seus integrantes, tem a cara do Brasil. O som é um rock que dialoga com punk e com o hard rock, inspirado em bandas como The Stooges.
O grupo já lançou os singles “Sheherazade Blues”, com letra irônica e crítica, e “Mariana”, mais romântica. Agora, está em fase de finalização do seu primeiro álbum, previsto para o primeiro semestre. Mesmo com os compromissos políticos, a ideia é fazer shows pelo Brasil.
“Nós temos uma base legal de fãs para uma banda independente e fizemos alguns pelo Brasil. Nós lotamos uma casa de 300 pessoas em Goiás. Em Londrina ficamos sabendo que já tem gente pedindo nossas músicas na rádio. Então queremos fortalecer nossa divulgação”, explica Renan.
Quem venceu o concurso?
A banda Ginger and the Peppers, atração do Lolla 2026
Divulgação
A banda vencedora do concurso foi Ginger and The Peppers, que é formada por Julia Dillon (vocal), Alê Masili (guitarra), Paulo Gonzaga (guitarra), J.P. Masella (bateria) e Itto Menezes (baixo).
Criada em 2021, eles tem letras em inglês e tem uma musicalidade que conversa com o rock produzido nos anos 1970 e 1980, pisando até um pouco no country.
O grupo, que tem cerca de 47 mil ouvintes mensais no Spotify e 330 mil seguidores nas redes sociais, vai abrir o Lollapalooza. O Ginger and The Peppers se apresentando às 12h no Palco Samsung Galaxy.

Fonte: G1 Entretenimento

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