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Home»Entretenimento»Bad Bunny fala português, veste camisa do Brasil e faz baile nostálgico na estreia no país
Entretenimento

Bad Bunny fala português, veste camisa do Brasil e faz baile nostálgico na estreia no país

fevereiro 21, 2026Nenhum comentário0 Visitas

Fãs encontram cantor Bad Bunny em São Paulo
Bad Bunny fez seu primeiro show no Brasil nesta sexta-feira (20) no auge da carreira. Após cantar no Super Bowl e ganhar o Grammy de Melhor Álbum, o porto-riquenho de 31 anos levou ao Allianz Parque a turnê “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, uma nostálgica carta de amor a Porto Rico, contra a gentrificação e a influência estrangeira. Ele volta ao estádio em São Paulo neste sábado, também com ingressos esgotados.
“Não sabia o que esperar, não sabia que teria tanta gente linda aqui”, disse em espanhol, no começo, logo antes de seu violonista tocar uma versão instrumental de “Garota de Ipanema”. Depois deu seu recado em português: “Estou muito feliz. Finalmente realizei meu sonho de visitar o Brasil. Obrigado por isso.”
A estrutura foge da pirotecnia óbvia dos megashows. Além do rapper, é a plateia e a qualidade das imagens no telão, com ótima captação e direção, que sustentam o show.
Bad Bunny faz show em São Paulo, em 20 de fevereiro de 2026
@irisalvesc/Live Nation Brasil
A apresentação é dividida em atos bem marcados, sem tantas surpresas. Até o recurso comum em turnês de outros popstars está lá: Bad Bunny reserva um espaço do setlist para uma faixa exclusiva em cada show. No finalzinho da segunda parte, canta “Vete”.
O show começa e termina no palco principal, mas perde um pouco seu prumo com a sequência de músicas na “Casita”. Essa estrutura secundária é ótima na teoria, uma varanda de casa porto-riquenha, onde Bad Bunny recria uma festa de rua intimista, vestido com um uniforme completo da seleção brasileira bicampeã mundial, o uniforme da Copa de 1962.
É o momento da sequência mais dançante, com hits como “Yo Perreo Sola” e “Tití Me Preguntó”. O momento de balada gigante traz consigo certa controvérsia. Quem não guarda lugar na grade para ver essa parte de perto mal consegue enxergar o que acontece na primeira metade. A maioria tem que ver pelo telão, porque o palco da tal casinha é baixo. Só quando ele sobe a escada e vai para o teto é que as coisas melhoram.
Outra questão: se o cantor busca fazer uma festa no fundo da pista para democratizar o acesso ao seu show, por que a casinha se parece tanto com uma área super vip? Ok, há fãs ali entre as pessoas que dançam na balada da “casita”, mas o espaço parece dominado por famosos e quase famosos. Seria um baile inesquecível de perreo ou uma pool party em Balneário Camboriú?
Fora da casinha, os arranjos têm uma quentura de som feito ao vivo que ajuda a dar nova cara às canções da primeira parte. Ele tem a companhia de 17 músicos, incluindo um sexteto de sopro e um quarteto de vocalistas de apoio. Na casinha, o som só fica mais encorpado e bem equalizado na metade final de set, que inclui ainda uma versão sem o cantor para “Mas que nada”, de Sergio Mendes.
Do ‘trapeton’ ao baile diversificado
Bad Bunny faz show em São Paulo, em 20 de fevereiro de 2026
Braulio Lorentz/g1
Por trás do artista mais ouvido no Spotify em quatro dos últimos cinco anos está o artista pacato (e ator ocasional) chamado Benito Antonio Martínez Ocasio. Ele passou a infância e adolescência dividido entre as pistas de skate e as missas com a mãe em Porto Rico. Tinha a carreira mais voltada para o reggaeton, mas foi diversificando seu som.
Nos últimos anos, principalmente a partir do festejado álbum “Un Verano Sin Ti” (2022), Benito passou a ir mais além do “trapeton”. A união do reggaeton com o trap, caracterizado por um rap mais arrastado, soturno, mas com vocais graves e pegada festiva, ganhou a companhia de outros sons dançantes, da salsa à música eletrônica.
Mais do que fazer dançar, os versos de Bad Bunny têm uma sofrência melodiosa, perfeita para o “baile inesquecível” que é seu show. Ele canta suas desilusões amorosas e arrependimentos na vida com um vocal quase soluçado.
Politizado… nas letras
Bad Bunny é conhecido por falas politizadas, posicionando-se a favor dos direitos LGBT e contra a política de imigração dos EUA, com discursos centrados e diretos em premiações como o Grammy.
No show, porém, ele é menos incisivo. “Este show se trata da união do Brasil com Porto Rico e a América Latina”, ele explica, antes do hit “Baile Inolvidable”. Depois, completa: é um show para “dançar, brincar, rir e chorar”. Mais tarde, voltou a falar da união dos dois países. “Nunca vamos nos esquecer desta noite. Obrigado por receberem a cultura de Porto Rico… nós somos brasileiros e vocês são porto-riquenhos.”
Sem espaço para ‘bad vibe’
Bad Bunny faz show em São Paulo, em 20 de fevereiro de 2026
@irisalvesc/Live Nation Brasil
Fã de Blink 182 e Linkin Park, referências que explicam a pose de rockstar de arena, o show também tem momentos mais lentos. A melodia de “Garota de Ipanema” colore “Si Veo a Tu Mamá”. A faixa abre o álbum “YHLQMDLG” e usa o clássico de Tom Jobim e Vinicius de Moraes como um toque de celular insistente ao fundo, enquanto ele rima sobre um amor não superado.
O bom disco de 2020 tem seu espaço no setlist, com mais destaque do que o trabalho anterior, “nadie sabe lo que va a pasar mañana”. A volta ao trap mais soturno e pesado é quase esquecida.
Essa fase menos solar, ligeiramente “bad vibe”, pouco combina com a festa de “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, responsável por mais de um terço do repertório. “Un Verano Sin Ti” também ajuda a sustentar os picos de euforia. Desde os shows do RBD, não se via no Brasil um show cantado em espanhol tão festejado.
Bad Bunny faz show em São Paulo, em 20 de fevereiro de 2026
@irisalvesc/Live Nation Brasil
Cartela resenha crítica g1
Arte/g1

Fonte: G1 Entretenimento

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