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Home»Entretenimento»Retrospectiva 2025 – Dez álbuns brasileiros que soaram afinados
Entretenimento

Retrospectiva 2025 – Dez álbuns brasileiros que soaram afinados

dezembro 26, 2025Nenhum comentário0 Visitas

Capas de álbuns de artistas brasileiros que se destacaram na produção fonográfica de 2025
Reprodução / Montagem g1
♫ RETROSPECTIVA 2025
♬ Diante do fato de que milhares de álbuns, EPs e singles são lançados a cada semana nos aplicativos de áudio, qualquer relação de melhores discos do ano tende a ser limitada, além de subjetiva pela própria natureza de listas do gênero. O limite é o raio de visão – ou seria de audição? – de quem elabora a lista.
Traduzindo: ninguém ouviu todos os álbuns lançados ao longo dos 365 dias de 2025. Logo, qualquer relação de grandes discos do ano é, além de parcial, incompleta.
Feita a ressalva, o Blog do Mauro Ferreira elege dez álbuns de artistas brasileiros que sobressaíram em 2025 pela excelência, sobressaindo na produção fonográfica nacional Ausências serão sentidas. Presenças poderão ser questionadas. Afinal, os discos foram escolhidos de acordo com o gosto e os critérios do colunista e crítico musical do g1. E gosto sempre é passível de discussão. Provocar discussão sobre Arte, aliás, é uma das funções da crítica exercida com independência, idoneidade e respeito ao artista.
♪ Eis, listados em ordem cronológica de lançamento, dez álbuns brasileiros que, na visão do Blog do Mauro Ferreira, merecem ser lembrados na retrospectiva musical de 2025:
Capa do álbum ‘Diamantes, lágrimas e rostos para esquecer’, de BK
Bruna Sussekind
♫ Diamantes, lágrimas e rostos para esquecer – BK
♬ Três após se agigantar com Icarus (2022), o rapper carioca alçou outro voo alto ao se conectar com a MPB no álbum lançado em 28 de janeiro. A coesão dos beats (criativos), feats (com nomes com Luedji Luna) e samples (de gravações de Djavan e Milton Nascimento) saltou aos ouvidos e reafirmou a identidade de BK ao longo do álbum Diamantes, lágrimas e rostos para esquecer.
Capa do álbum ‘Quanto mais eu como, mais fome eu sinto’, de Djonga
Coniiin / Divulgação
♫ Quanto mais eu como, mais fome eu sinto – Djonga
♬ O rapper mineiro já não é a novidade no universo do hip hop, mas mostrou que continua com fôlego e fome de bola na potente jornada reflexiva de álbum que trouxe a voz de Milton Nascimento no rap Demoro a dormir. Saciada a fome e a sede de fama, Djonga expressa angústias, conquistas, dúvidas, expectativas e frustrações em versos inquietos, sustentados pelos beats e arranjos criados por Coyote Beatz e Rapaz do Dread. Lançado em 13 de março, Quanto mais eu como, mais fome eu sinto é álbum à altura do histórico fonográfico de Djonga.
Capa do álbum ‘Nem lágrima nem dor’, de Eliana Pittman
Samuca Kim com projeto gráfico de Leandro Arraes e direção de arte de Paulo Henrique Moura
♫ Nem lágrima nem dor – Eliana Pittman
♬ Em 20 de março, cinco meses antes de festejar 80 anos em 14 de agosto, a cantora carioca bateu asas e alçou um dos voos mais arrojados da discografia iniciada na década de 1960. No álbum Nem lágrima nem dor, Eliana Pittman cantou o repertório de Jorge Aragão com o frescor dos arranjos e da produção musical de Rodrigo Campos. A fricção das cordas e do arsenal percussivo de Rodrigo Campos com os sopros tocados e orquestrados por Thiago França renovou o repertório do compositor carioca. Empresário de Eliana, Thiago Marques Luiz driblou as tensões da produção (executiva) e bancou o disco de forma independente.
Capa do álbum ‘Uma estrela para Dalva’, de Alaíde Costa
Murilo Alvesso com arte de Leandro Arraes
♫ Uma estrela para Dalva – Alaíde Costa
♬ Entre o segundo e o terceiro título da trilogia idealizada por Emicida e Marcus Preto (o último está previsto para 2026), a cantora prestou tributo a Dalva de Oliveira (1917 – 1972), diva da era do rádio. No álbum Uma estrela para Dalva, lançado em 9 de maio, Alaíde Costa afinou o canto, já habituado a melodias tristes, com as dores de amores de repertório pautado pelas mágoas dos sambas-canção do Brasil pré-Bossa Nova. Cada faixa apresentou duo da cantora com instrumentistas do naipe de Antonio Adolfo, Guinga e Amaro Freitas. Herdeira dos dramas de Dalva, Maria Bethânia se juntou a Alaíde no canto de Ave Maria no morro (Herivelto Martins, 1942).
Capa do álbum ‘Caro vapor II – Qual a forma de pagamento?’, de Don L
Divulgação
♫ Caro vapor II – Qual a forma de pagamento? – Don L
♬ Disparado em 16 de junho, o álbum Caro vapor II – Qual a forma de pagamento? foi um dos petardos mais certeiros do hip hop brasileiro em 2025. Don L é o nome artístico de Gabriel Linhares Rocha, rapper nascido em Brasília (DF) e criado em Fortaleza (CE). O artista injetou sangue novo no rap nativo com batidas envolventes e mistura brasileira em que baião, bossa nova, Dorival Caymmi (1914 – 2008), Itamar Assumpção (1949 – 2003), samba e Neptunes se amalgamaram com funk, R&B e rap sem perder o sabor tropical sul-americano. Um grande álbum, raio X do Brasil de 2025.
Capa do álbum ‘Quinhão’, de Mosquito
Pintura de Márcia Falcão
♫ Quinhão – Mosquito
♬ O pagode marcou presença forte no mercado de shows e nas playlists de 2025. Mas nenhum nome do gênero alcançou a altitude do partido de Mosquito no segundo álbum do bamba carioca. Em Qimhão, álbum lançado em 17 de julho, o hábil partideiro se confirmou grande na roda do samba enraizado nas tradições dos quintais e terreiros do Rio de Janeiro. Herdeiro direto da linhagem de Zeca Pagodinho e, sob prisma histórico mais amplo, descendente da dinastia carioca aberta na década de 1930 por Noel Rosa (1910 – 1937), Mosquito contou em Qinhão com a excelência dos arranjos e da produção musical de Pretinho da Serrinha.
Capa do álbum ‘Rock doido’, de Gaby Amarantos
Divulgação
♫ Rock doido – Gaby Amarantos
♬ A artista paraense fez a festa neste álbum que soou como o set de um DJ em aparelhagem de Belém (PF). Foi, aliás, na periferia da capital do Pará que Gaby Amarantos gravou Rock doido, álbum lançado em 29 de agosto. A energia vibrante da maioria das 22 músicas, condensadas em 37 minutos, eletrizou os ouvintes deste disco em que a cantora celebra a cultura festiva do tecnobrega. Rock doido é disco de alta voltagem rítmica que confirma a força da música do Norte e, em especial, o talento de Gaby Amarantos.
Capa do álbum ‘Novo testamento’, da rapper Ajuliacosta
Matheus Aguiar
♫ Novo testamento – Ajuliacosta
♬ As minas também estão no poder no hip hop brasileiro. A rapper paulista Ajuliacosta hasteou a bandeira da liberdade feminina em Novo testamento, álbum lançado em 15 de setembro. O álbum firmou a voz altiva da rapper vencedora do Bet Awards 2025 na categoria Melhor artista internacional. Ajuliacosta propôs em Novo testamento uma outra ordem mundial em que mulheres jamais se deixam oprimir pelo machismo e nunca baixam a cabeça e a voz diante do império masculino. Tudo com alta dose de crítica e com sonoridade que mixa vertente clássica do rap, como o boombap do fim dos anos 1980, com a contemporaneidade do trap.
Capa do álbum ‘Eita’, de Lenine
Linogravura de Luiza Morgado
♫ Eita – Lenine
♬ Há dez anos em lançar álbum com músicas inéditas gravadas em estúdio, o artista pernambucano reapareceu na melhor das formas com Eita, álbum lançado em 28 de novembro. Gravado com produção musical de Bruno Giorgi, Eita costurou afetos em celebração da família e do Nordeste. Maria Bethânia emoldurou Foto de família com a nobreza do canto transcendental. Maria Gadú contribuiu para legitimar o engajamento do abrasivo maracatu O rumo do fogo. Repertório, arranjos e produção musical irretocáveis fizeram de Eita um dos grandes álbuns de 2025.
Capa do álbum ‘Bicudos dois’, de Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta
Isabela Espíndola
♫ Bicudos dois – Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta
♬ Chegou em 11 de dezembro Bicudos dois, último grande álbum de 2025 (salvo algum lançamento arquitetado sem aviso prévio para os últimos cinco dias do ano). Reavivando as tradições do canto em dupla, em voga na música brasileira desde os anos 1930, Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta pescaram pérolas raras no álbum que, após 21 anos, deu sequência ao disco Dois bicudos (2004). Bicudos dois é disco que se agigantou pela afinidade entre os cantores, pela surpreendente e extraordinária seleção de repertório – dominado por relíquias do baú da música brasileira dos anos 1930, 1940 e 1950 – e pelos arranjos, a maioria do diretor musical Paulo Aragão.

Fonte: G1 Entretenimento

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